Marco Aurelio Ricciardi Weber

2º Vice-presidente da ACEDIJUS

marco

Quando se trata de exageros, seja nos gestos ou atitudes, nós, brasileiros, logo lembramos os italianos, passionais, agitando as mãos e elevando o tom de voz.
No contraponto a esse preconceito, difícil nos darmos conta de que os verdadeiros extremismos estão exatamente aqui, em terras tupiniquins. Pois aqui, bem aqui, guarida de tantas etnias que vieram em busca da melhoria de suas condições de vida e de trabalho, formou-se o povo mais exagerado do mundo. E o reflexo disso está disseminado por todos os setores da sociedade brasileira, notadamente na política, na qual, em matéria ideológica, direita e esquerda, além de negarem-se a abrir mão da ortodoxia, dão-se ao luxo de aprimorar essa ortodoxia ideológica ,tornando-a ainda mais ortodoxa.
Difícil entender? Nem tanto, se examinarmos a Constituição da República, alardeada como “Constituição Cidadã”, um modelo sem similares no mundo, todavia incompatível com o nosso estágio sociocultural, sem contar que mesmo após 31 anos da sua promulgação, ainda não foi totalmente regulamentada, gerando a verdadeira salada de frutas que é a sua interpretação pelos Tribunais.
É complicado para os brasileiros, verdadeira contradição, ao passo que somos famosos pelo jogo de cintura e pelo “jeitinho”, que infelizmente não se traduzem na capacidade de adotar um sistema híbrido, que estabeleça com clareza e eficiência as atribuições estatais e as não estatais. A direita, quando fala em privatizar, adota o discurso arrasa quarteirão, e a esquerda não abre mão de nada.
Por que não o híbrido? Imposto único, energia, saúde, educação e segurança sob a tutela indispensável do Estado, privatizando as demais áreas que se fizerem necessárias?
É um dilema do Brasil, esse contraste com a nossa imensa capacidade de adaptação e criação.
Precisamos nos reinventar, deixando de ser a Pátria do Exagero, para ser a Pátria da Criatividade.

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